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Encontros · 2 min

Love is Blind: dá para se apaixonar sem se ver?

Conhecem-se sem se ver, ficam noivos em dias e casam em semanas. Muitos casais não chegam lá, mas alguns continuam juntos anos depois. O que nos diz a experiência da Netflix sobre conhecer alguém às cegas.

· This is my message

Umas cabines, uma parede e uma voz do outro lado. Assim começa Love is Blind, o reality da Netflix que desde 2020 já teve versões em meio mundo: do Brasil ao Japão, da Suécia à Polónia.

A experiência

As regras são simples: falam sem se ver durante uns dias e só se podem conhecer pessoalmente se ficarem noivos. Depois vêm a vida a dois, as famílias e o casamento, tudo em poucas semanas. No altar, cada um diz sim ou não.

O resultado, temporada após temporada: muitos casais separam-se antes do casamento, outros dizem «não» no altar e uns poucos continuam juntos anos depois. A contagem muda todos os meses, por isso desconfia de qualquer número exato.

Não falha a parte às cegas. Falha o cronómetro.

O que prova

  • A conexão sem fotos é real. Gente que nunca teria deslizado para a direita liga-se a sério a falar de família, medos e planos.
  • Falar do que importa acelera a intimidade. Nas cabines não há conversa de elevador. Já em 1997, Arthur Aron mostrou que fazer perguntas cada vez mais pessoais aproxima muito dois desconhecidos.
  • O físico importa, mas menos do que pensamos. O momento de se verem é tenso e, mesmo assim, muitos casais seguem em frente.

O que não prova

Haver separações não prova que conhecer alguém às cegas não funcione. O formato mete pressa (noivado em dias e casamento em semanas), câmaras, pressão e zero vida normal. Isso rebenta com qualquer um, quer se tenham visto antes ou não.

A versão sem câmaras

Fica com o melhor da experiência e tira-lhe a pressa: conhecer alguém primeiro pela forma como pensa, ao vosso ritmo, e verem-se quando os dois quiserem. Sem cabines e sem anel na primeira semana. Só afinidade, cartas e tempo.