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Encontros · 2 min

Breadcrumbing: o teu crush funciona como uma slot machine

Um like aqui, um «ahah» ali e nunca um plano. O que é o breadcrumbing, porque é que prende como uma slot machine e porque é que um estudo espanhol diz que deixa mais marcas do que o ghosting.

· This is my message

Um «então, tudo bem?» às onze da noite. Um like numa story de há três semanas. Um «temos de combinar qualquer coisa» que nunca chega. São migalhas de pão, e tu vais atrás delas.

O que é o breadcrumbing

É dar a atenção certa para que a outra pessoa não se vá embora, mas nunca a suficiente para avançar. Breadcrumb quer dizer migalha de pão em inglês, como as da história de Hansel e Gretel: pequenos sinais que te mantêm no caminho sem te levarem a lado nenhum.

Porque é que prende: a slot machine

Nos anos cinquenta, os psicólogos Charles Ferster e B. F. Skinner estudaram o que faz um comportamento manter-se. Viram que as recompensas que chegam de forma imprevisível prendem muito mais do que as que chegam sempre. É o truque das slot machines: não sabes quando vai sair prémio, por isso continuas a puxar a alavanca.

A nossa leitura: o breadcrumbing é isso mesmo, mas com mensagens. Se a outra pessoa respondesse sempre, sabias com o que contar. Se nunca respondesse, viravas a página. O que prende é o às vezes.

Não é essa pessoa que te prende. É o «se calhar desta vez».

Pior do que o ghosting

Em 2020, uma equipa da Universidade de Castela-La Mancha, em Espanha, perguntou a 626 adultos dos 18 aos 40 anos pelos seus encontros. Quem tinha passado por breadcrumbing estava menos satisfeito com a vida e sentia-se mais sozinho e impotente. Com o ghosting, não encontraram essa relação. É um estudo preliminar, mas dá que pensar: um fim brusco dói, uma espera sem fim desgasta mais.

Como é numa conversa

  • Segunda: «ahah tão bom 😂»
  • Quinta: (nada)
  • Domingo, 23:47: «olha, temos de combinar um dia destes»
  • Tu, no dia seguinte: «Dá-te jeito quarta?» → (nada)

Como parar de meter moedas

  • Propõe um plano concreto. Dia e hora. A isso não se responde com uma migalha.
  • Olha para os factos, não para as palavras. «Tenho tantas saudades tuas» sem plano é só mais uma migalha.
  • Põe um prazo à tua paciência. Se em duas semanas não houver nada concreto, já tens a resposta.
  • E se fores tu a distribuir migalhas: diz o que se passa. «Agora não procuro nada» é mais simpático do que seis meses de «temos de combinar».

Quando há afinidade a sério, não são precisas migalhas: há planos.